Biografia

Nascido em 17 de agosto de 1934, num dos antigos territórios da federação brasileira, o Acre, encravado na Amazônia, conquistado à Bolívia no século XIX após árduas batalhas bélicas e diplomáticas, João Donato de Oliveira Neto estava destinado a um percurso incomum, como o de suas origens. Filho de um piloto de avião e capitão da Polícia Militar foi criado numa família de pendores artísticos amadores. Mas as coisas começaram a mudar quando a Polícia Militar do Acre foi extinta e os Oliveira mudaram-se para o Rio. A irmã mais velha, Eneyda, estudava piano, o caçula, Lysias Ênio, interessava-se por poesia e bem mais tarde viria a letrar algumas composições do filho do meio, João Donato. Para ele, tudo começou em um Natal, quando ganhou um acordeon de Natal. Quando emigrou para o Rio, então capital do país, já dominava o instrumento, mas o pai o queria aviador, e o matriculou no tradicional Colégio Lafayette, na Tijuca.

 

À FRENTE DE SEU TEMPO

Acontece que João Donato sempre esteve à frente de seu tempo. O primeiro a perceber isso, ainda que por vias tortas, foi o grande compositor Ary Barroso, que o barrou em seu programa de calouros. “Nada de garoto prodígio aqui”, cortou o renomado autor do hino “Aquarela do Brasil”, descartando, com sua folclórica ranhetice, o concorrente ainda de calças curtas. Mas a seiva musical corria forte nas veias do acreano. Em pleno reinado do baião nordestino, o rapazola de apenas 15 anos, já empunhava a sanfona no programa “Manhas na roça”, do paraibano Zé do Norte, futuro autor da trilha sonora do filme “O cangaceiro”, de Lima Barreto, sucesso internacional.

Nos intervalos dos programas, na rádio Guanabara, tocava seu 120 baixos informalmente no regional do flautista Altamiro Carrilho. O titular do cavaquinho do grupo, Duílio Cosenza chamou sua atenção pelos acordes “que assustavam todo mundo”, como lembrou em entrevista ao songbook de sua obra, produzido por Almir Chediak. O humorista Chico Anysio, que também trabalhava na rádio, apelidou Duílio de “Stan Kenton do cavaquinho”. O maestro americano, de Wichita, Kansas, que viveu entre 1912 e 1979, intitulava seu estilo “progressive jazz” e seria uma das inspirações de Donato ao logo da vida musical, junto com o impressionista francês Claude Debussy (1862-1918), seu guru harmônico.

No final dos anos 40, o precoce acreano também batia ponto nos encontros de dois fã-clubes rivais, o Frank Sinatra-Dick Farney e o Lúcio Alves-Dick Haymes, cantores intimistas a quem reverenciava, enquanto propunha mudanças no curso da música vigente, ao lado de outros freqüentadores como Nora Nei, Johnny Alf e Luis Bonfá. Sua primeira experiência em conjunto vocal, foi no Namorados (ex-da Lua), no posto do ídolo Lúcio Alves. Depois aliou-se a dois integrantes de Os Cariocas, Severino Filho e Badeco, num quarteto vocal escalado para acompanhar Vanja Orico (estrela de “O cangaceiro”) no Copacabana Palace, junto com um certo João Gilberto, que conheceu em outro grupo vocal, Os Garotos da Lua. O primeiro disco com seu nome, “Chá dançante”, foi gravado, aos 22 anos, sob direção musical de um iniciante Tom Jobim. O mesmo que, um ano antes, tocara piano num histórico disco solo de Luís Bonfá, onde Donato, ainda ao acordeon, inaugurava a nova bossa com sua enviesada “Minha saudade”, composição mais tarde letrada por João Gilberto.

 

ACORDEON, TROMBONE E … SÓ PIANO

Donato logo aposentaria o acordeon, que estreou em disco, em 1953, tocando o inesperado “Invitation”, do compositor polonês Bronislaw Kaper. Passou pelo trombone, estimulado por Edson Maciel, um discípulo do jazzista americano Frank Rosolino (da banda de Kenton), mas especializou-se no piano, em cujas teclas instalou a síncopa que influenciaria a célebre batida de violão do colega João Gilberto, marca registrada da bossa. Mas essas inovações ainda não eram assimiladas com facilidade. Apesar de percorrer o circuito das casas noturnas cariocas, do Monte Carlo ao Drink, Arpege e Plaza (reduto onde a bossa daria seus primeiros passos), Donato começou a sentir-se incompreendido. Um episódio o marcou especialmente.

Logo após gravar “Chega de saudade”, em 1958, João Gilberto foi convidado para tocar num hotel de uma estância hidromineral, para onde insistiu em levar Donato como músico acompanhante. Logo após a primeiro show, foram convocados pela direção, que concordou em pagar adiantado pelo resto da temporada e disponibilizar hospedagem grátis, desde que eles não tocassem mais. Assim, quando recebeu um convite do violonista Nanai para juntar-se ao remanescente Bando da Lua, em Lake Tahoe, nos EUA, em 1959, Donato não hesitou. Mas sua música também já estava avançada demais para os ex-acompanhantes de Carmen Miranda. E ele se viu abandonado à própria sorte em Los Angeles. Era o início do périplo americano que duraria mais de uma década, moldaria seu estilo e influenciaria músicos de várias latitudes e gêneros.

 

NA AMÉRICA ANTES DA BOSSA NOVA

Como seu relógio estava sempre adiantado, ele chegou aos EUA antes da bossa nova e acabou enturmado com músicos latinos. Tocou com Mongo Santamaria (onde deixou o posto de pianista para ninguém menos que Chick Corea), Tito Puente (para quem soprou trombone), Ralph Peña, Eddie Palmieri e Johnny Martinez. Recusou o convite de última hora para participar o célebre concerto da bossa nova no Carnegie Hall, em novembro de 1962, mas, em seguida embarcava para Roma, numa temporada com João Gilberto, o baixista Tião Neto e o baterista Milton Banana.

Além de render uma composição insinuante, em homenagem ao lugar onde se hospedaram, “Villa Grazzia” (que letrada por Gilberto Gil se tornaria o sucesso “Bananeira”), a excursão fez nascer o João Donato Trio. Numa curta volta ao Brasil, ele anteciparia a febre de conjuntos de piano, baixo e bateria nos seminais LPs “Muito à vontade” (1962) e “A bossa muito moderna” (1963). Era um trio de quatro, já que, além de Donato, Tião Netto e Milton Banana, havia a percussão de Amaury Rodrigues. De volta aos EUA com “Muito à vontade” debaixo do braço, Donato procurou o diretor do selo Pacific Jazz, em busca de uma edição americana do disco. Ela saiu (sob o título de “Sambou, sambou”, mais palatável ao público americano) e Donato começou a colher os louros da semeadura musical na matriz.

O vibrafonista de Detroit, Dave Pike, gravou em 1962, “Bossa nova carnival”, inteiramente dedicado à sua obra. O saxofonista Clifford “Bud” Shank (outro da orquestra de Stan Kenton), que havia tentado uma fusão do jazz com a música brasileira em três discos com o violonista paulista Laurindo de Almeida a partir de 1953, foi mais um enfeitiçado. Na contracapa de “Bud Shank, Donato & Friends”, gravado em março de 1965, derramou: “O pai da criança é o Donato. Eu transferi o problema para ele e a única coisa que faço neste disco é tocar”. O produtor, Richard Bock, compara Donato, como autor, a Cole Porter e o contracapista, John William Hardy diz que ao piano “ele é o Tommy Flanagan brasileiro”, equiparando-o ao “side man” de ases como Miles Davis, Sonny Rollins e John Coltrane. Ao lado da violonista Rosinha de Valença, do baixo onipresente de Tião Neto e bateria de Chico Batera, Shank no disco transita por cinco temas de Donato em nove faixas. Entre eles, “Minha saudade” e “Silk stop”, homenagem ao faquir Silk, famoso na década de 50, que seria letrada, mais tarde, como “Gaiolas abertas” pelo sambista Martinho da Vila.

Como se não bastasse, o arranjador alemão Claus Ogerman, que havia orquestrado a estréia solo de Tom Jobim, “The composer of Desafinado plays”, prontificou-se a fazer o mesmo com Donato. “The new sound of Brazil”, também de 1965, traz seis composições de Donato, incluindo o clássico “Amazonas”, que estava sendo lançado (seria regravado logo pelo organista Walter Wanderley e até pelo pop Chris Montez) e duas raras parcerias com João Gilberto, “No coreto” e “Coisas distantes”. Na “big band” que o acompanha cintilam dos brasileiros Luís Bonfá, Carlos Lyra e Dom Um Romão aos americanos Jerome Richardson (flautas) e Jimmy Cleveland (trombone). Com a bossa estourada nos EUA, Donato era cada vez mais solicitado. Participou dos dois primeiros discos solo da cantora Astrud Gilberto, e um velho companheiro da cena “latin jazz”, o vibrafonista sueco Cal Tjader, o convidou a gravar em “Solar heat” (1968) e “The prophet” (1969), que incluía três composições do brasileiro, “Tema teimoso”, “Aquarius” e “Warm song” (letrada, adiante, por Lysias Ênio, como “Mentiras”).

 

A BAD DONATO: FAZENDO BARULHO

Seu clássico instantâneo “O sapo” (transformado em “A rã”, por Caetano Veloso) virou sucesso do grupo de Sérgio Mendes, Brasil 66, no disco “Look around” (1968). O mesmo Mendes agendou Donato para o piano em seu segundo grupo, Bossa Rio. Com ele, gravaria, em 1970, o disco “Alegria!”, no Japão, mercado que se abriria para a sua música, a ponto de manter seus discos sempre em catálogo e demandar um songbook da cantora Lisa Ono dedicada à sua obra, “Minha saudade”, em 1995. O disco do Bossa Rio saiu pelo selo Blue Thumb, de San Francisco, California, e seu diretor, Bob Krasnow foi mais um convertido ao “donatismo”. “Em cada solo seu, fico arrepiado”, elogiou.

E deu carta branca total para o brasileiro gravar um disco em seu selo. Era o início dos sintetizadores, Donato muniu-se de maquininhas de última geração e “resolveu fazer barulho”, após ouvir muito James Brown, observar a guitarra de Jimi Hendrix e a voz descabelada de Janis Joplin. O pianista e arranjador Eumir Deodato, garoto prodígio de uma geração posterior da bossa, entrou em estúdio com ele e o resultado foi “A bad Donato”. Tinha participações de Oscar Castro Neves, outro bossanovista de primeira hora, radicado nos EUA, dos bateristas Dom Um Romão e Paulinho Magalhães, além dos jazzistas Bud Shank, Ernie Watts, Jimmy Cleveland, e os irmãos Pete e Conti Candoli. O disco virou “cult”e foi apontado como antecipador da disco/music por sua fusão de funk/rock/bossa/eletrônica. Trazia uma releitura turbinada de “The frog” (ainda “O sapo”), e futuras pérolas afiadas como “Cadê Jodel?” e “Malandro” (depois “Nana das Águas”, na letra de Geraldo Carneiro).

Haveria outro encontro com Eumir, em 1973, num disco, “quase acidental”, como diz a contracapa de Joel Vance, “Donato/ Deodato”, pela Muse Records. Apesar do acordo para gravar, Donato queria voltar logo para o Brasil. Entrou no estúdio plantou “as fundações” para a construção de Eumir, que já estourara com sua versão eletropop de “Also Sprach Zarathustra”, tema da trilha do filme “2001, uma odisséia no espaço”. Além dos brasileiros Mauricio Einhorn e Airto Moreira, atuaram em “Donato/Deodato” ases internacionais como Randy Brecker (trompete) e Ray Barreto (congas), e no repertório entraram “You can go”, “Where is JD?” e “Batuque”. Na volta ao Brasil, elas sofreriam uma transformação que marcaria nova etapa na carreira de Donato.

Convencido pelo cantor Agostinho dos Santos, que gostaria de gravar algumas delas (mas morreria, em seguida, num desastre de avião em Paris), Donato convocaria parceiros para fazer as letras de, pela ordem, “Até quem sabe?” (Lysias Ênio), “Ahiê” (Paulo Cesar Pinheiro) e “Não tem nada não”. Esta última foi a única não incluída no disco da volta de Donato ao mercado brasileiro, “Quem é quem” (1973). Por coincidência, além de Eumir, era em parceria com o produtor do disco, Marcos Valle, que a gravaria em seu “Previsão do tempo”, no mesmo ano. Com participação vocal de Nana Caymmi _ e do próprio Donato, debutando como cantor _ mais letras do supra citado Paulo Cesar Pinheiro, Geraldo Carneiro, João Carlos Pádua, Lysias Ênio (que estreava a parceria familiar) e Valle, o disco reposicionou o compositor acreano na MPB pós-bossa nova.

EM COMPASSO COM OS TROPICALISTAS

Os tropicalistas também o (re)descobriram. Além da bem sucedida letra de Caetano para a “A rã” (e mais, “Naturalmente”, “O fundo”, “Nua idéia”, “Surpresa”), da produção do disco e show de Gal Costa, “Cantar” (onde desabrochava sua “Flor de maracujá”), Gilberto Gil consolidava Donato no firmamento dos grandes autores nacionais, em parcerias como “Bananeira”, “Emoriô”, “Que besteira”, “A bruxa de mentira”, “Lugar comum” (ex- Índio perdido”, escrita a partir de um fio melódico que ouviu de um índio num igarapé amazônico), incluídas no disco que levou o nome da música, em 1975. Ainda assim, Donato só voltaria aos estúdios para registrar uma ode instrumental (com os cobras Serginho Trombone, Paulinho Trompete, Mauro Senise, Luizão Maia, Jamil Joanes, Zé Carlos, Téo Lima e Sidinho) à musa da época (“Leilíadas”, 1986), antes de ter os ponteiros acertados, de vez, com a lerda indústria musical. Mais que isso. A partir da década de 90, ele tirou o atraso de anos anteriores. Começou com uma volta triunfal à “major” Odeon, em “Coisas mais simples” (1996), como vocalista consolidado e repertório já recheado de sucessos. Escaladas parcerias com Martinho da Vila (“Daquele amor nem me fale”), Paulo André Barata (“Nasci para bailar”) e até o roqueiro Cazuza (“Doralinda”).

 

DE A a Z

Aliás, seu leque de associações autorais, duetos e participações em discos alheios não para de se expandir. Do encontro com o mítico baterista Eloir de Moraes (“Café com pão”, Lumiar, 1997) e com o repertório de Tom Jobim (“Só danço samba”, Lumiar, 1999) ao “songbook” da mesma gravadora, de três CDs englobando sua obra, produzidos por seu admirador, o produtor e professor musical, Almir Chediak. Numa prova da elasticidade estética de Donato, aderiram ao projeto, de Djavan (“Depois do natal”) a Elza Soares (“Fonte da saudade”), Zélia Duncan & Lenine (“Naturalmente”), Daniela Mercury & Guinga (“A rã”), Emilinha Borba (“Os caminhos”), Chico Buarque (“Brisa do mar”), Angela Ro Ro & Antonio Adolfo (“Cadê você?”). Uma nova frente externa foi aberta por outro admirador, o produtor russo Vartan Tonoian, que gravou em seu selo americano Elephant Records, “Amazonas” (2000), “The frog” e Brazilian time”(ambos em 2001).Aqui, além da Lumiar, onde ainda registraria “Remando na raia”, e encontros com o cantor Emilio Santiago (2003) e a compositora Maria Tita (2006), ele ainda gravaria dois discos com a dupla baiana Palmyra e Levita, “Here’s that bossa rainy day” (Jazz Station, 2002) e “Lucy in the sky with bossa diamonds” (Rombling Records, 2004).

No selo Deckdisc, do produtor João Augusto, faria “Ê-lalá lay-ê” (2001), estréia “hi-tec”, com direito a entrevista interativa. E mais, “Managarroba” (2002), com participações de João Bosco, Joyce e da nova geração _ da pop Marisa Monte (“Nunca mais”) ao rapper Marcelo D2 (“Balança”). E ainda, um dueto com a bossanovista Wanda Sá (2003) e o primeiro solo em seu instrumento, “O piano de João Donato” (2007). Em outro selo de prestígio, a Biscoito Fino, Donato se mostrou pela primeira vez em DVD/CD com “Donatural” (2005), com as participações de Gilberto Gil, Marcelo D2, Joyce, Leila Pinheiro, Marcelinho da Lua e Angela Rô Rô. Na Biscoito também dividiu disco com um companheiro dos velhos tempos, o sax/clarinetista Paulo Moura. “Dois panos pra manga” (Biscoito Fino/Acre, 2006) teve origem num reencontro histórico, cheio de simbolismos.

Ocorreu na rua Dick Farney, na Barra, liderado pelo ex-presidente do Sinatra-Farney Fã Club, o produtor Carlos Manga. Também emblemática, pelo mesmo selo, foi “Uma tarde com Bud Shank e João Donato” (CD e DVD – Biscoito Fino/Acre/Urca Filmes, 2007), onde os antigos parceiros reataram laços sonoros, inaugurados 42 anos antes.

“Bossa eterna”, lançado em 2008 pela Biscoito Fino, apresenta a parceria com o trombone de Raul de Souza. Donato Tropical, pela Dubas (2008), mostra um Donato arranjador e sua influência importante na renovação da música brasileira nas décadas de 70 e 80. Em “Os Bossa Nova” (Biscoito Fino, 2008), Donato se junta a Carlos Lyra, Roberto Menescal e Marcos Valle para mostrar porque é considerado o precursor da Bossa Nova e renovador da moderna música brasileira. Em “Sambolero” (Acre/DubasUniversal, 2009), com seu trio dos últimos 30 anos – Robertinho Silva na bateria e Luiz Alves no contrabaixo – João Donato faz uma releitura da sua própria música, atualizando seus primeiros discos “Muito à vontade” e “A bossa muito moderna de João Donato”. Com título tão sugestivo (samba + bolero), Sambolero arrebatou o Grammy Latino de Melhor Álbum de Jazz Latino um dia depois de Donato ter recebido o Grammy Especial à Excelência Musical, a maior premiação da Academia Latina do Grammy.

Como num eterno retorno, a música tão avançada de Donato está sempre de volta para o futuro, como no novo CD lançado em 2010, em parceria com a cantora Paula Morelenbaum, intitulado “Água” (Acre/Mirante/Biscoito Fino): “O resultado é cool, é caliente, é dançante, é emocionante. E cheio de novas bossas… trazendo tudo para o século 21. Musical como raras cantoras, Paula dialoga em elevado nível com a genialidade de João Donato. Um disco assim só poderia surgir de um encontro em clima “tranx boladão”, como define Donato, com gíria de eterno adolescente. Para entender o que isso significa, aperte o play…”, escreveu o jornalista Pedro Só.

Ao ser convidado para participar da mais recente edição do Rock in Rio (2011), como atração do Palco Sunset, não hesitou: “Vamos fazer o meu mais barulhento álbum: A Bad Donato”. O público e a crítica gostaram. “Com sua túnica de paetês psicodélicos multicoloridos, com seus músicos, Donato mostrou genialidade a uma platéia calmamente envolvida, em músicas como “Café com pão”, “The frog”, “Bananeira” – dizer que ele criou ali alguns dos melhores momentos do festival, não seria favor”, escreveu Leonardo Lichote no Globo. Nas madrugadas mornas do Rio, Donato dá andamento a um trabalho que começou há 20 anos: orquestração e instrumentação de trechos de obras selecionadas de seus ídolos maiores – Debussy e Ravel. O resultado final será uma Suíte Sinfônica, a ser interpretada por um grupo solista formado por Donato ao piano, acompanhado de contrabaixo, bateria, percussão e uma orquestra sinfônica completa; com regência de Jaques Morelenbaum. A data: 2016.